Shivon Zilis abala defesa de Musk em julgamento OpenAI

Shivon Zilis, ex-conselheira da OpenAI e executiva ligada a várias empresas de Elon Musk, tornou-se peça-chave no julgamento que opõe o bilionário a Sam Altman, atual CEO da organização de IA. Seu depoimento revelou anotações internas que, segundo os advogados da acusação, comprometem a estratégia de defesa de Musk.
Zilis confirmou, sob juramento, ser mãe de quatro filhos de Musk, fruto de um relacionamento mantido em sigilo até 2022. A executiva relatou ter atuado, desde 2017, em todos os projetos de IA do empresário — Tesla, Neuralink e a própria OpenAI — trabalhando até 100 horas semanais para “identificar gargalos e resolvê-los”.
Shivon Zilis abala defesa de Musk em julgamento OpenAI
No centro da controvérsia estão as notas redigidas por Zilis durante reuniões com Greg Brockman, Ilya Sutskever, Altman e o próprio Musk, quando o grupo discutia a criação de um braço comercial da OpenAI. Os documentos, apresentados como evidência principal, indicam que a equipe cofundadora exigia “garantia inegociável” de que Musk não teria controle absoluto sobre a futura AGI. Em e-mails, Zilis alertou ainda que Musk havia suspendido contribuições financeiras de US$ 5 milhões sem informar aos demais integrantes.
A testemunha admitiu ter intermediado conversas, “avisando Altman quando Musk estava em bom momento para dialogar”, mas negou ter repassado informações estratégicas ao empregador. Os advogados de OpenAI contestaram, exibindo mensagens em que Zilis pergunta se deveria “permanecer próxima para continuar canalizando dados”. Em outra troca de 2017, ela sugeriu a Jared Birchall — gestor de patrimônio de Musk — que Tesla ou mesmo o empresário assumissem cadeiras no conselho da OpenAI, garantindo poder de decisão.
Durante o contra-interrogatório, a advogada Sarah Eddy destacou divergências entre o depoimento atual e a audiência anterior de Zilis, apontando “lembranças recuperadas” que favoreciam Musk. Mesmo assim, a postura calma da executiva impressionou observadores, embora sua confiabilidade tenha sido questionada por ocultar a paternidade dos gêmeos até a divulgação pela imprensa.
Além de revelar os bastidores da tentativa de Musk em integrar a OpenAI à Tesla, as anotações mostram sugestões de Zilis para “atrair pesquisadores” da organização e até convencer Demis Hassabis, do DeepMind, a trabalhar com Musk para “pensar mais na humanidade”. Para analistas jurídicos ouvidos pela agência Reuters, esses registros fortalecem o argumento de que o bilionário planejava assumir o controle da pesquisa em IA, contrariando a missão original de “benefício global” do instituto.
A saída de Zilis do conselho ocorreu após ela ser informada, por telefone, sobre rumores de que Musk lançaria um projeto concorrente de IA. “Quando o pai dos meus filhos inicia um esforço competitivo e pretende recrutar da OpenAI, não há alternativa”, escreveu ela a uma amiga.
A sessão de hoje deixou claro que a lealdade prioritária de Zilis continua sendo a Musk, conclusão reforçada pelo próprio histórico de e-mails e pelo depoimento em que admitiu “ter colocado o empresário em primeiro lugar”. O julgamento prossegue amanhã, com novas testemunhas da defesa.
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Crédito da imagem: Cath Virginia / The Verge, Getty Images
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