Musk v. Altman: gafe no julgamento pode custar caro

Musk v. Altman ganhou um momento decisivo em 30 de abril de 2026, quando Jared James Birchall, gestor das finanças de Elon Musk, respondeu a uma pergunta proibida enquanto o júri estava ausente. A declaração inesperada pode abrir espaço para novas investigações sobre a oferta de US$ 97,4 bilhões feita pelo grupo de Musk para adquirir a parte sem fins lucrativos que controla a OpenAI.

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O episódio ocorreu no Tribunal Federal do Distrito Norte da Califórnia, presidido pela juíza Yvonne Gonzalez Rogers. Durante o interrogatório direto, um bilhete entregue à equipe de defesa levou o advogado de Musk a perguntar se Birchall conhecia a proposta da xAI pelos ativos da OpenAI. A partir daí, o executivo afirmou que “Sam Altman estava dos dois lados da mesa”, referindo-se às negociações envolvendo a entidade com e sem fins lucrativos da companhia.

Musk v. Altman: gafe no julgamento pode custar caro

A promotoria protestou imediatamente e o testemunho foi retirado dos autos por “falta de fundamento”. Contudo, no contrainterrogatório, o advogado Bradley Wilson, do escritório Wachtell Lipton, retomou o tema e questionou a origem das informações de Birchall. Sem o júri presente, a própria juíza passou a interrogar o executivo, que mostrou pouca segurança ao explicar quem definiu o valor de US$ 97,4 bilhões e como o capital seria reunido.

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Birchall declarou não se lembrar de conversas diretas com Musk ou com a executiva Shivon Zilis sobre o momento de envio da proposta. Ele também afirmou desconhecer se algum participante do consórcio possuía dados internos da OpenAI. Para Gonzalez Rogers, foi difícil conciliar a postura titubeante de Birchall com a suposta capacidade de captar quase US$ 100 bilhões. A magistrada ponderou que a defesa, ao tocar no assunto, pode ter “aberto a porta” para nova fase de descoberta judicial, potencialmente prejudicial a Musk.

Ainda não está claro se o conteúdo será admitido perante o júri, nem quais sanções processuais podem recair sobre a equipe de Musk por eventual omissão de documentos sobre a oferta da xAI. A juíza prometeu decidir sobre o tema no dia seguinte ao incidente.

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Além do constrangimento público, o deslize pode resultar na inclusão de provas adicionais relativas a suposto comportamento anticompetitivo de Musk. Caso a juíza autorize novo período de diligências, a defesa terá de entregar e-mails, memorandos e outras comunicações que, até então, permaneceram fora do processo.

O litígio entre Elon Musk e Sam Altman avalia se o reordenamento societário da OpenAI, destinado a permitir a abertura de capital da unidade com fins lucrativos, desvalorizou de forma imprópria os ativos da fundação sem fins lucrativos. Se comprovadas irregularidades, o tribunal poderá anular partes da reestruturação ou impor indenizações bilionárias.

Resumo: a resposta fora de hora de Birchall expôs a estratégia da defesa e pode alterar radicalmente o rumo do caso Musk v. Altman. Continue acompanhando os desdobramentos em nossa editoria de tecnologia na Eletronic Planet e fique por dentro das próximas decisões judiciais.

Crédito da imagem: Cath Virginia / The Verge, Getty Images

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