Fusão Nexstar Tegna enfrenta bloqueio judicial nos EUA

Fusão Nexstar Tegna volta aos holofotes depois que o juiz federal Troy Nunley suspendeu temporariamente o negócio de US$ 6,2 bilhões que uniria os dois gigantes da TV local nos Estados Unidos.
A decisão emitida em 17 de abril atendeu a um pedido de oito procuradores-gerais estaduais e da operadora DirecTV, que alegam violação das leis antitruste. O magistrado determinou que a Tegna permaneça financeiramente independente, bloqueando qualquer integração até novo julgamento.
Fusão Nexstar Tegna enfrenta bloqueio judicial nos EUA
A polêmica começou em 2025, quando Brendan Carr assumiu a presidência da Comissão Federal de Comunicações (FCC) durante o segundo mandato de Donald Trump. Carr lançou a agenda “Delete, Delete, Delete”, prometendo eliminar regras consideradas onerosas, inclusive o limite que proíbe uma única empresa de atingir mais de 39 % dos lares televisivos. Com mais de 200 emissoras e já no teto permitido, a Nexstar viu a oportunidade de comprar a rival Tegna, o que lhe daria controle de cerca de 80 % do mercado.
Para a Nexstar, a consolidação seria a única forma de enfrentar as gigantes do streaming, já que, segundo pesquisa da Borrell Associates citada pelo presidente Perry Sook, a publicidade digital local soma mais de US$ 100 bilhões, contra apenas US$ 25 bilhões da TV linear. Críticos, porém, alertam para riscos de monopólio editorial e redução da pluralidade jornalística.
O debate ganhou contornos políticos. Após a morte do comentarista Charlie Kirk, a Nexstar retirou “Jimmy Kimmel Live!” do ar, alinhando-se a Carr, que ameaçara cassar licenças de emissoras que exibissem o humorista. O episódio, revertido após boicote, fortaleceu a impressão de interferência partidária.
Paralelamente, a Newsmax, canal conservador liderado por Chris Ruddy, processou a Nexstar, acusando-a de elevar taxas de distribuição para dificultar sua permanência no ar enquanto favorecia sua própria rede, a NewsNation. Na mesma linha, o grupo Keep News Local passou a veicular anúncios em Washington exaltando Trump e defendendo a fusão como “vital para a sobrevivência do MAGA”.
A Casa Branca oscilou. Em novembro, Trump atacou o negócio como “EXPANSÃO DAS FAKE NEWS”; em fevereiro, elogiou a operação dizendo que traria “mais competição”. Quando finalmente sinalizou apoio, em meados de março, Nexstar e Tegna iniciaram a integração antes mesmo do voto formal dos três comissários da FCC, o que motivou a reação judicial.
Congressistas de ambos os partidos reagiram: os senadores Ted Cruz (R-TX) e Maria Cantwell (D-WA) enviaram carta a Carr condenando a dispensa de votação colegiada. Segundo eles, a fusão, se consumada sem revisão completa, poderia tornar “impraticável” qualquer reversão posterior.
No âmbito editorial, repórteres da Tegna relataram instruções para substituir conteúdos de ABC, CBS e NBC por material da NewsNation, sinalizando mudanças já em curso nas redações locais.
Para acompanhar outros desdobramentos sobre regulamentação de mídia, o Los Angeles Times traz análises detalhadas das audiências preliminares e dos argumentos das partes.
A novela jurídica prossegue sem data para conclusão. Enquanto isso, especialistas alertam que a incerteza pode acelerar cortes em redações regionais e reduzir ainda mais a diversidade de vozes na televisão norte-americana.
Quer saber como a tecnologia impacta outros setores da comunicação? Visite nossa seção de Últimas Notícias e continue informado.
Imagem: Cath Virginia / The Verge
Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.

Conteúdo Relacionado