Microsoft antitruste: FTC mira gigante da nuvem Azure

Microsoft antitruste volta aos holofotes após 25 anos: a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) investiga se a empresa utiliza práticas que prejudicam a concorrência em seus serviços de nuvem Azure e em produtos de inteligência artificial.

Anúncio

Cartas enviadas a pelo menos seis rivais pela FTC, conhecidas como Civil Investigative Demands (CIDs), pedem detalhes sobre acordos comerciais, licenciamento e interoperabilidade de softwares da Microsoft. A apuração começou em 2024, ainda no governo Biden, e prossegue sob a administração Donald Trump.

Microsoft antitruste: FTC mira gigante da nuvem Azure

Entre as preocupações, estão mudanças nos termos de licenciamento feitas em 2019 que, segundo clientes, encareceram a execução do Windows em infraestruturas que não sejam Azure. O Google, em resposta a uma investigação ampla da FTC sobre computação em nuvem, acusou a rival de “usar seu domínio em outras áreas para dar vantagem indevida ao Azure”. A Microsoft afirma cooperar plenamente com a agência e sustenta que o mercado de nuvem é altamente competitivo.

Anúncio

Documentos obtidos pelo site The Verge descrevem questionamentos da FTC sobre planos de bundling, descontos e rentabilidade, além de obstáculos para novos entrantes. A agência também quer saber se a integração de recursos de IA ao pacote Microsoft 365 representa vantagem competitiva indevida, possivelmente configurando amarração ilegal (“tying”).

A investigação acontece em meio a recordes de avaliação de mercado: impulsionada pelo crescimento do Azure, a Microsoft alcançou valor próximo a US$ 3 trilhões e se posiciona para atender à demanda de computação massiva da IA. A expansão contrasta com a queda de receitas em hardware, como o Xbox.

Anúncio

Fora dos EUA, a União Europeia, a Autoridade de Concorrência do Reino Unido e o Japão também analisam possíveis práticas anticompetitivas da Microsoft na nuvem. A companhia diz colaborar “rápida e construtivamente” com todos os reguladores.

Especialistas lembram que, em 1998, o Departamento de Justiça processou a Microsoft por vincular o Internet Explorer ao Windows, caso que terminou em acordo, mas abriu espaço para novos concorrentes. Segundo o ex-presidente da FTC William Kovacic, o desfecho das várias ações contra gigantes de tecnologia “poderá definir o rumo de todo o setor de serviços de informação”.

A dimensão do inquérito evidencia a atenção regulatória recente: a FTC quer saber, por exemplo, como a política de preços do Azure afeta a entrada ou expansão de competidores. Informações detalhadas sobre barreiras de custos foram exigidas em reportagem da Bloomberg que antecipou parte das CIDs.

Para acompanhar os próximos capítulos dessa possível ação de antitruste contra a Microsoft, visite nossa seção de Últimas Notícias e fique por dentro das atualizações. Imagem: The Verge; Getty Images

Conteúdo Relacionado

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK