Copa do Mundo revela rigor das políticas de imigração dos EUA

Copa do Mundo revela rigor das políticas de imigração dos EUA e coloca em evidência as dificuldades enfrentadas por jogadores, árbitros e torcedores estrangeiros para entrar no país-sede. Mesmo após promessas oficiais de deslocamento “sem barreiras”, o torneio de 2026 começou marcado por recusas de visto, detenções em aeroportos e mudanças de logística que afetaram seleções inteiras.
Entre os casos mais emblemáticos está o do atacante suíço Breel Embolo, barrado no embarque por uma condenação de 2018 e obrigado a solicitar visto emergencial. A seleção do Irã, depois do ataque norte-americano a Teerã, transferiu seu centro de treinamentos de Tucson (Arizona) para Tijuana (México) quando o Departamento de Estado vetou a entrada de vários jogadores.
Copa do Mundo revela rigor das políticas de imigração dos EUA
No aeroporto O’Hare, em Chicago, o iraquiano Aymen Hussein foi interrogado por sete horas, teve o celular vasculhado e acabou liberado sem garantia de permanência. Já o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que faria história como o primeiro de seu país em uma Copa, recebeu visto, mas foi impedido de ingressar no território por “questões de segurança”.
O Departamento de Segurança Interna (DHS), liderado por Markwayne Mullin, justificou os bloqueios ao afirmar que “viajar aos Estados Unidos é um privilégio, não um direito”. Andrew Giuliani, chefe da força-tarefa da Casa Branca para a Copa, reforçou a posição dizendo à CBS News que alguns atletas “poderiam representar ameaça”.
No passado recente, ingressar em Rússia-2018 ou Catar-2022 era quase automático: o ingresso valia como visto. O cientista político Jules Boykoff lembra que, na candidatura conjunta de 2017, EUA, México e Canadá garantiram trânsito livre. Promessa longe de se cumprir, segundo ele, em virtude da escalada de restrições decretadas pelo governo norte-americano desde dezembro, que afetam 39 nacionalidades, incluindo Haiti e Irã.
O impacto atinge também as arquibancadas. A federação iraniana teve ingressos de torcedores cancelados horas antes das partidas em Los Angeles e Seattle. Na Jordânia, o líder da torcida local apresentou 42 documentos e mesmo assim teve o visto negado; situação semelhante à de dezenas de marroquinos com bilhetes já comprados.
Entidades civis se mobilizam. Em Houston, voluntários da Organized Power in Numbers (OPIN) distribuem “cartões vermelhos” com orientações sobre direitos em abordagens do ICE. A preocupação cresce porque, segundo o BBC, o governo admite reforçar a presença de agentes federais nas cidades-sede.
Embora a FIFA diga não controlar políticas de fronteira, o presidente Gianni Infantino insiste que “todos serão bem-vindos”. Nos bastidores, porém, a competição evidencia que a mensagem dos EUA é outra: nem mesmo o maior evento esportivo global suaviza seu controle migratório.
Para acompanhar mais novidades sobre grandes eventos e tecnologia, visite nossa seção de Últimas Notícias e continue informado!
Crédito da imagem: Cath Virginia / The Verge, Getty Images
Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.

Conteúdo Relacionado