Substack perde escritores por taxas e limitações

Substack vive um novo êxodo de criadores que abandonam a plataforma para reduzir custos e ampliar a autonomia sobre seus negócios digitais. Nomes de peso, como o boletim “The Ankler” e o jornalista esportivo Sean Highkin, migraram recentemente para serviços rivais como Passport, Ghost e Beehiiv.

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A principal queixa dos autores é a chamada “Substack Tax”: a comissão de 10% sobre toda a receita de assinaturas, somada às taxas de cartão. À medida que a base de leitores cresce, o valor pago à plataforma dispara e compromete a margem dos projetos.

Substack perde escritores por taxas e limitações

Highkin, responsável pelo “The Rose Garden Report”, relata que gasta US$ 2.052 anuais usando Ghost e o complemento Outpost, frente aos US$ 4.968 que desembolsava na Substack. Desde a mudança, sua lista de assinantes aumentou 22% em relação a 2024.

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Matt Brown, criador do “Extra Points”, traça comparação ainda mais drástica. Com 71 mil leitores, ele pagaria mais de US$ 25 mil por ano em taxas na Substack. Na Beehiiv, o custo gira em torno de US$ 3 mil, economia que viabiliza novas contratações e investimentos editoriais.

O movimento ganhou força quando “The Ankler”, referência na cobertura da indústria do entretenimento, anunciou a troca para a Passport — solução desenvolvida pela Automattic (dona do WordPress.com) em parceria com Ben Thompson, do Stratechery. Os editores Janice Min e Richard Rushfield justificaram a migração por "mais flexibilidade e controle sobre produtos, receitas e relacionamento com a audiência".

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Além da precificação, os criadores criticam o ecossistema fechado da Substack. A plataforma oferece integração limitada com apps de terceiros, personalização restrita e mantém sua marca em newsletters e endereços web, fatores que dificultam a diferenciação de cada publicação. Para um observador do setor ouvido pelo The Verge, esses entraves colocam a empresa em desvantagem diante de rivais que privilegiam a identidade própria dos autores.

Em resposta, a Substack alega que permite exportar listas de e-mail, conteúdo e dados de pagamento, mas admite que os seguidores conquistados em recursos sociais como o Notes não podem ser levados. Oferecer pagamentos in-app no iOS, onde a Apple retém 30% da transação, também é apontado como obstáculo adicional.

Plataformas concorrentes adotam modelos fixos: o Ghost parte de US$ 15 mensais para mil membros; já a Beehiiv é gratuita até 2.500 assinantes e cobra US$ 96 mensais no plano Scale com 10 mil leitores. Opções como Kit seguem fórmula semelhante, aumentando a pressão sobre a Substack para rever seu modelo.

Especialistas avaliam que o impacto imediato dessas debandadas não decreta o fim da Substack, mas sinaliza uma mudança de percepção: a empresa pode tornar-se ponto de partida — e não destino final — para quem busca escalar publicações pagas sem sacrificar receita e independência.

Para acompanhar outras mudanças no universo da economia criativa e da tecnologia, visite nossa seção de Últimas Notícias e continue informado.

Imagem: The Verge

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