Scanner corporal da Midjourney gera ceticismo médico

Scanner corporal da Midjourney foi anunciado como uma alternativa rápida, sem radiação e “tão poderosa quanto uma ressonância magnética” (MRI). A startup de IA, famosa por gerar imagens sintéticas, agora planeja submergir usuários em um tanque d’água para captar ecos ultrassônicos em 60 segundos, visão que, segundo o CEO David Holz, poderá “prolongar vidas”.

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O aparato, descrito como um anel de sensores que circunda o corpo enquanto o cliente permanece de pé, pretende oferecer mapas 3D de composição corporal em spas a partir de 2027. A empresa cita estudos que sugerem reduzir 30 % das mortes globais com exames precoces, mas ainda não apresentou dados clínicos que sustentem tais promessas.

Scanner corporal da Midjourney gera ceticismo médico

Radiologistas ouvidos pelo The Verge elogiaram a ideia, porém destacaram lacunas fundamentais. Venkatesh Murthy, da Universidade de Michigan, considera a tecnologia “empolgante”, mas classifica como “teóricos” os números de resolução divulgados. Mark Anastasio, da Universidade de Washington em St. Louis, avalia o conceito como plausível, embora distante de qualquer equivalência ao MRI sem validação rigorosa. Matthew Davenport, também da Universidade de Michigan, foi mais duro: chamou as declarações de “as mais grandiosas que já viu, sem sustentação”.

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Entre os desafios apontados está a física do ultrassom. Som e ossos não combinam, e bolhas ou partículas na água podem degradar imagens. William Morrison, da Thomas Jefferson University, lembrou que banhos ultrassônicos foram abandonados décadas atrás justamente por esses limites: “Seria preciso água perfeitamente desgasificada; até cabelos poderiam distorcer o sinal”. O diretor médico da Midjourney, Tom Calloway, diz mitigar bolhas com um “grande dessaturador” sob o tanque, mas admite que gordura corporal ainda reduz a penetração das ondas.

Outra crítica recai sobre o enquadramento do aparelho como produto de bem-estar, não diagnóstico. Evitando, por ora, a rígida aprovação da FDA, a empresa promete apenas “mapas de composição”, embora seu blog sugira futuramente rastrear doenças. Especialistas temem que usuários troquem procedimentos consagrados — como mamografia ou colonoscopia — por exames sem comprovação. A própria Radiological Society of North America alerta que rastreamento em massa sem evidência pode sobrecarregar sistemas de saúde e gerar falsos positivos.

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Em projeções ambiciosas, a Midjourney prevê 50 000 scanners ativos em 2031, capazes de realizar exames mensais em um bilhão de pessoas. Versões de segunda e terceira geração, prometidas para 2028, seriam “noites e dias” à frente da atual em qualidade de imagem. Por enquanto, cientistas pedem provas publicadas, estudos comparativos e ensaios clínicos antes de qualquer revolução.

Resta saber se o scanner corporal da Midjourney será avanço real ou apenas marketing futurista. A comunidade médica aguarda evidências que sustentem ganhos de saúde e custo-benefício.

Para acompanhar mais análises sobre inovações em tecnologia e saúde, visite nossa seção de Últimas Notícias e mantenha-se informado.

Imagem: Midjourney Medical

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