Ex-executivo da Meta revela pressão por crescimento

Ex-executivo da Meta Brian Boland afirmou a um júri da Califórnia, em 19 de fevereiro de 2026, que o Facebook e o Instagram foram desenhados para maximizar engajamento e lucro, mesmo quando isso expunha adolescentes a riscos de saúde mental.
Boland, que passou 11 anos na companhia e chegou a vice-presidente de Parcerias, disse ter abandonado “fé cega” na empresa após perceber que a cultura corporativa priorizava crescimento acima da segurança dos usuários.
Ex-executivo da Meta revela pressão por crescimento
De acordo com o depoimento, Mark Zuckerberg estabelecia metas claras em reuniões gerais, usando até contagens regressivas digitais para superar rivais como o Google+. “Nunca houve ‘lockdown’ para segurança do usuário”, ressaltou Boland, citando o antigo lema interno “move fast and break things” como reflexo de um ambiente que exaltava lançamentos rápidos sem avaliar consequências.
Chamado de whistleblower, o ex-VP relatou que o algoritmo da plataforma era “implacável” na busca por cliques: “Não há algoritmo moral; ele não come, não dorme, não se importa”, declarou. Quando reportagens apontavam danos potenciais, a orientação, segundo ele, era “gerenciar o ciclo de imprensa”, não corrigir falhas.
Na véspera, Zuckerberg testemunhara que a Meta tenta equilibrar liberdade de expressão e segurança, argumento que Boland contestou. Ele narrou episódio em que levou dados preocupantes ao CEO e recebeu como resposta: “Espero que ainda haja coisas de que você se orgulhe”. Pouco depois, deixou a empresa, abrindo mão de cerca de US$ 10 milhões em ações não adquiridas.
Questionado pela defesa, Boland admitiu não ter atuado em equipes de segurança juvenil, mas insistiu que a estrutura de incentivos – centrada em publicidade direcionada – dificultava mudanças significativas. Reportagem da Reuters destaca que a Meta nega priorizar engajamento em detrimento do bem-estar.
Apesar das críticas, Boland reconheceu que modelos de anúncios e algoritmos não são “inherentemente ruins”; o problema, afirmou, é quando a liderança os usa para “vencer a qualquer custo”. O ex-executivo disse ainda sentir “nervosismo” sempre que fala publicamente sobre a companhia, que considera “incrivelmente poderosa”.
Este julgamento, que também envolve o YouTube, pode criar precedente sobre a responsabilidade das plataformas em danos à saúde mental de jovens, intensificando o escrutínio regulatório sobre redes sociais.
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Crédito da imagem: Cath Virginia / The Verge, Getty Images
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