Casey Means: indicada de Trump a cirurgiã-geral é criticada

Casey Means, médica formada em Stanford e influenciadora de bem-estar, tornou-se o centro de uma polêmica após ser indicada pelo ex-presidente Donald Trump para o cargo de cirurgiã-geral dos Estados Unidos.
A profissional, que não possui licença médica ativa nem concluiu a residência cirúrgica, foi questionada no Senado por antigos posicionamentos contra vacinas, defesa do leite cru e críticas a contraceptivos. Durante a audiência, ela amenizou declarações passadas, mas os senadores destacaram possíveis conflitos de interesse ligados à promoção de suplementos e dispositivos de monitoramento de glicose voltados a quem não tem diabetes.
Casey Means: indicada de Trump a cirurgiã-geral é criticada
Conhecida pelo best-seller “Good Energy”, escrito com o irmão Calley Means, a indicada afirma que a dissfunção metabólica seria a raiz de doenças que vão da acne ao câncer. O livro mistura dados científicos consensuais sobre mitocôndrias e resistência à insulina com teorias menos comprovadas, como a promessa de prevenir câncer apenas com mudanças de estilo de vida. Especialistas apontam que a obra segue o “manual” de influenciadores de saúde: apresentar fatos verídicos ao lado de hipóteses frágeis para chegar a conclusões simplistas.
Além da obra, Means mantém newsletters e parcerias pagas com marcas de exames laboratoriais, suplementos de algas e serviços de entrega de alimentos. Uma investigação da Associated Press revelou falhas recorrentes na divulgação desses vínculos financeiros. Em carta à FTC, o grupo de defesa do consumidor Public Citizen pediu apuração sobre possíveis violações das normas de publicidade. Essas práticas levantam dúvidas sobre a imparcialidade que o posto de cirurgiã-geral exige.
Críticos também lembram que o ex-cirurgião-geral Jerome Adams publicou artigo reprovando a candidata por descredibilizar vacinas e recomendar produtos sem comprovação. Durante a sabatina, a senadora Susan Collins questionou referências a psicodélicos presentes no livro, enquanto outros parlamentares pediram esclarecimentos sobre a ideia de substituir filtro solar por sebo bovino.
Ainda não há data para a votação final da indicação, mas o debate reflete a crescente influência de celebridades do bem-estar na formulação de políticas públicas. Reportagem do Los Angeles Times apontou contradições no relato de que Means teria abandonado a residência por “desilusão” com a medicina tradicional, sugerindo que a saída teria ocorrido por ansiedade.
Se confirmada, Means será responsável por orientar a população usando as “melhores evidências científicas disponíveis” — exatamente o ponto contestado por seus opositores.
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Crédito: Getty Images
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