Anthropic recusa exigências do Pentágono sobre IA letal

Anthropic recusa exigências do Pentágono e mantém duas linhas vermelhas inegociáveis: nada de armas autônomas letais nem de vigilância em massa contra cidadãos americanos. A negativa foi formalizada pelo CEO Dario Amodei na noite de quinta-feira (26), menos de 24 horas antes do prazo final imposto pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
O impasse começou quando o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que pretendia renegociar todos os contratos atuais de laboratórios de IA com o Exército. Segundo fontes do governo, OpenAI e xAI já teriam acatado às novas condições. A recusa da Anthropic levou Amodei a uma reunião emergencial na Casa Branca, onde recebeu o ultimato para ceder até o fim do expediente de sexta-feira.
Anthropic recusa exigências do Pentágono sobre IA letal
Na declaração pública, Amodei reconheceu a “importância existencial” do uso de IA na defesa de democracias, mas afirmou que, “em casos específicos, a tecnologia pode minar valores democráticos”. Ele reforçou que a empresa não se opõe ao emprego militar de suas ferramentas em operações convencionais, porém descarta dois cenários: vigilância doméstica em larga escala e sistemas de armas que decidam matar sem supervisão humana.
O executivo admitiu que armamentos parcialmente autônomos são “vitais para a defesa”, mas considerou que, atualmente, os modelos de IA de última geração “ainda não são confiáveis o suficiente” para operar em modo totalmente autônomo. Amodei não descartou rever essa posição no futuro, quando a tecnologia amadurecer.
Como forma de pressão, o Pentágono solicitou a grandes contratadas do setor de defesa que avaliassem sua dependência do modelo Claude, da Anthropic, movimento que pode anteceder a classificação da empresa como “risco à cadeia de suprimentos”. Autoridades chegaram a considerar a aplicação do Defense Production Act, lei que obrigaria a companhia a cooperar.
Apesar das ameaças, Amodei declarou que “não podemos, em sã consciência, ceder”. Caso o Departamento de Defesa decida romper o contrato, a Anthropic se comprometeu a “facilitar uma transição suave” para outro fornecedor, garantindo a continuidade de operações militares críticas. Detalhes adicionais foram divulgados em reportagem do The Verge, especializada em tecnologia e inovação.
Especialistas avaliam que o desfecho do caso pode balizar futuras relações entre empresas de IA e governos, definindo até onde a ética corporativa pode confrontar exigências de segurança nacional.
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Imagem: Cath Virginia / The Verge, Getty Images
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