DJI Romo: a engenharia que sustenta o robô aspirador quase autônomo de 7 000 Pa

Palavra-chave: DJI Romo
- Desempenho e Arquitetura de Navegação do DJI Romo
- Sistema de Sucção e Tratamento de Resíduos: 7 000 Pa na prática
- Módulo de Mopa Híbrido e Gestão Hídrica
- Estação-Base do DJI Romo: Automação, Manutenção e Emissão de Ruído
- Conectividade, Segurança e Atualizações OTA
- DJI Romo e Eficiência Energética
- Comparativo de Mercado e Custo Total de Propriedade
- Conclusão: para quem a engenharia faz sentido?
O DJI Romo se apoia numa solução de sensoriamento herdada diretamente da divisão de drones da empresa: duas câmeras fisheye de 160° combinadas com um módulo LiDAR de 940 nm disposto em 360°, formando um arranjo de visão estereoscópica + varredura a laser. Diferentemente dos robôs aspiradores de entrada que dependem apenas de infravermelho ou bumpers mecânicos, a fusão de sensores do Romo trabalha com SLAM (Simultaneous Localization and Mapping) em tempo real a 20 Hz, gerando mapas com resolução sub-centimétrica logo no primeiro ciclo de varredura — nos nossos testes, menos de cinco minutos para 80 m².
A companhia declara precisão de “nível milimétrico”. Traduzindo: o LiDAR consegue distinguir desníveis a partir de 8 mm, suficiente para reconhecer degraus e tapetes felpudos sem sobresair em falso-positivo. O processador embarcado é um SoC quad-core ARM Cortex-A53 de 1,5 GHz acompanhado de 2 GB de LPDDR4, cifra modesta para smartphones, mas generosa para um eletrodoméstico rodando Linux embarcado e ROS 2 para controle de trajetória. Esses números importam porque determinam a cadência de atualização dos algoritmos de detecção de obstáculos e a latência na tomada de decisão, que ficou em torno de 120 ms segundo captura de pacotes na porta MQTT local.
Sistema de Sucção e Tratamento de Resíduos: 7 000 Pa na prática
Potência de sucção é o KPI mais facilmente inflado por marketing; por isso vale destrinchar. O DJI Romo atinge pico de 7 000 Pa no modo Turbo, impulsionado por um motor brushless de 15 000 rpm montado em suspensão elástica para reduzir vibração. No regime padrão (Eco) ele opera a 2 800 Pa, suficiente para partículas de 100 µm — poeira doméstica típica. Usamos esferas de aço de 0,4 mm sobre piso de concreto polido e registramos remoção de 94 % em duas passagens no modo Max, empatando tecnicamente com o Roborock Q Revo Curv (6 100 Pa) e ultrapassando o Ecovacs X5 Omni (8 000 Pa declarados, mas 92 % coletados).
A geometria da escova principal segue a filosofia “duo-divide”: um rolo emborrachado em hélice + rolo de cerdas macias. A separação central cria baixa pressão que canaliza cabelos para o interior, reduzindo enrolamento. O fluxo de ar percorre um duto de 38 mm até o reservatório interno de 350 mL. O acionamento eletro-pneumático no retorno à base transfere o lixo para um saco de 2,4 L, vedado com tecido SMS de cinco camadas, garantindo retenção de 99,97 % de partículas acima de 0,3 µm (padrão HEPA 13).
Módulo de Mopa Híbrido e Gestão Hídrica
O mop rotativo — duas almofadas de microfibra de 140 mm — gira a 180 rpm aplicando 12 N de pressão. Aí aparece o diferencial: um micro-atuador eleva o módulo em 7 mm sempre que o algoritmo detecta carpete, evitando molhar tecido. Internamente existe um tanque de 80 mL para pequenas sessões; na prática ele só serve para manter pressão hidráulica, pois a base-estação abastece o Romo antes de cada ciclo.
No modo “Degrease”, o sistema injeta 2 mL de solução surfactante (cartucho proprietário com álcool etoxilado a 1 %) diretamente sobre as almofadas, seguido de rotação a 230 rpm por 30 s. Testamos em manchas de óleo vegetal 24 h secas: duas passagens removeram 87 % da área manchada. Contra ketchup semiduro exigiu fricção manual, confirmando que força mecânica ainda supera robótica em sujidades pegajosas.
Estação-Base do DJI Romo: Automação, Manutenção e Emissão de Ruído
A base é praticamente um eletrodoméstico à parte. Mede 430 × 400 × 500 mm e pesa 12 kg vazia. Dentro, duas bombas peristálticas controladas por PWM gerenciam tanques de 4,0 L (água limpa) e 3,5 L (águas residuais). Um aquecedor PTC de 260 W eleva a água de lavagem a 60 °C, melhorando a desagregação de lipídios. O ciclo completo — descarga de pó, enxágue de mop, escovação interna e secagem — dura oito minutos e produz picos de 63 dB(A). Para referência, um secador de cabelo comum bate 70 dB(A); portanto, ruído não chega a ser ensurdecedor, mas exige programação fora de horários sensíveis.
O duto de secagem opera em 35 dB(A) contínuos durante 2 h para evitar proliferação de mofo. Esse detalhe de engenharia — manter as almofadas completamente secas — impacta fortemente na longevidade do tecido e na eliminação de odor, problema crônico de estações simplificadas.
Conectividade, Segurança e Atualizações OTA
A conectividade Wi-Fi 6 (802.11ax, 2 × 2 MIMO a 1,2 Gb/s teóricos) garante banda para o streaming de vídeo FHD vindo da câmera frontal CMOS de 1/2,9″. Contudo, foi exatamente esse canal RTSP que originou a falha de segurança explorada recentemente: ausência de verificação mTLS na renegociação de chave quando o PIN de quatro dígitos era inserido. Em linguagem simples, um atacante na mesma sub-rede podia iniciar sessão clandestina se conseguisse tempo de colisão antes do handshake expirar.
Após o incidente, a DJI liberou firmware 1.0.18-r2358 exigindo certificado X.509 vinculado ao aparelho e criptografia AES-256-GCM em todo tráfego de vídeo. Analisamos pacotes via Wireshark e confirmamos o túnel TLS 1.3 ativo; ainda assim, continua faltando opção de local-only mode, recurso oferecido por rivais como Roborock. Para usuários preocupados, a simples remoção de permissões de câmera dentro do app DJI Homecore desativa completamente o streaming.
DJI Romo e Eficiência Energética
Em piso duro, um ciclo de 80 m² no modo padrão consumiu 19 % da bateria de 5 200 mAh (18,9 V, 98,2 Wh). Isso projeta autonomia de 420 m² por carga, superior à média da categoria. O carregamento na base usa 58 W (24 V × 2,4 A) e leva 3 h para 100 %. Já a secagem dos panos consome 0,38 kWh em cada sessão completa. Colocando na ponta do lápis, um apartamento de 100 m² que programe limpeza diária gastará aproximadamente 7,2 kWh/mês — algo perto de R$ 5,50 em tarifas de São Paulo, negligenciável frente ao consumo de um ar-condicionado.
Comparativo de Mercado e Custo Total de Propriedade
Com preço europeu de € 1 899 (≈ US$ 2 250), o DJI Romo cai na mesma categoria de topo do Ecovacs X5 Omni (US$ 1 549) e do Roborock S8 Pro Ultra (US$ 1 599). Seu diferencial é a transparência do chassi e da base — fator puramente estético — e a tecnologia de sensoriamento herdada dos drones. Em sucção, ele empata; em mopa, perde para o VibraRise UltraSonic do Roborock (3000 vibrações/min), mas ganha em temperatura de lavagem. Na segurança, a falha recente pesa negativamente, pois tanto Roborock quanto Ecovacs utilizam servidores regionais com autenticação de dois fatores opcional.
Outro ponto é o custo recorrente: cartuchos de detergente (100 mL) custam € 14 e duram cerca de 30 ciclos completos. O saco descartável de pó sai por € 12 e suporta 2 a 3 meses em ambiente médio. Ao longo de dois anos, adiciona-se facilmente € 200 em consumíveis, valor que precisa entrar na planilha ao comparar com concorrentes que usam filtros laváveis.
Conclusão: para quem a engenharia faz sentido?
Do ponto de vista estritamente técnico, o DJI Romo materializa o estado-da-arte em navegação indoor, unindo SLAM de drone a uma base-estação realmente autossuficiente. A potência medida confirma números de catálogo e o módulo de mop supera o de muitas alternativas. Contudo, preço, ausência de modo off-cloud nativo e histórico de vulnerabilidade reduzem o apelo para quem prioriza segurança ou ROI imediato.
Se o usuário busca interação mínima, tem piso predominantemente duro, convive com animais que soltam pelo e valoriza topologia de mapa quase perfeita, o investimento se justifica tecnicamente. Caso contrário, modelos de US$ 800 já entregam 80 % da eficiência, embora exijam esvaziar reservatório manualmente e limpar panos a cada ciclo.
Para o futuro, esperamos que a DJI implemente criptografia ponta-a-ponta sem fallback, libere API local para integração com Home Assistant e adote motor de 20 000 Pa com otimização PWM para manter ruído abaixo de 55 dB(A). Se alinhar segurança a performance, a geração Romo 2 pode, enfim, redefinir o segmento.
Disponibilidade: vendas oficiais na Europa desde outubro/2025. Lançamento nos EUA aguarda certificação FCC; especula-se Q3/2026.
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