Verificação de idade online põe VPNs na mira de políticos

Verificação de idade online tem se transformado no novo ponto de tensão entre legisladores e defensores da privacidade: à medida que governos exigem comprovação etária em sites e aplicativos, surge a proposta de limitar ou até proibir o uso de VPNs, ferramenta usada justamente para evitar esse rastreamento.

Anúncio

Nos anos 1990, as VPNs nasceram como solução corporativa para trocar dados com segurança sem recorrer a linhas dedicadas. O modelo ganhou força em 2001, quando Francis Dinha e James Yonan lançaram o OpenVPN, código-aberto que popularizou a tecnologia entre empresas e consumidores.

Verificação de idade online põe VPNs na mira de políticos

O cenário mudou em 2013, após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância em massa da Agência de Segurança Nacional dos EUA. Pesquisas do Pew Research indicam que, em 2016, 86% dos norte-americanos adotaram práticas para esconder seus rastros digitais, incluindo o uso de VPNs. Agora, uma nova onda de adesão é impulsionada pelos projetos de age-gating: leis que obrigam o usuário a enviar documento, cartão bancário ou vídeo-selfie para provar a idade.

Anúncio

Para driblar essas exigências, internautas recorrem às VPNs, mascarando localização e acessando a internet como se estivessem em jurisdições sem verificação etária. Após a adoção da regra na Flórida, buscas por serviços de VPN dispararam; o mesmo ocorreu no Reino Unido, onde o regulador Ofcom já monitora o fenômeno, e na Austrália, que proibiu menores de 16 anos nas redes sociais.

Nos EUA, seis deputados republicanos de Michigan apresentaram projeto que restringe VPNs, impõe bloqueio de conteúdo adulto pelos provedores e censura representações de pessoas trans. Em Wisconsin, proposta semelhante foi retirada após forte reação pública. Fora do país, a comissária britânica Rachel de Souza classificou VPNs como “brecha” a ser fechada, enquanto a França avisou que o tema é “o próximo da lista”.

Anúncio

Organizações de direitos digitais alertam que limitar VPNs mina a segurança de jornalistas, ativistas e usuários comuns. A Electronic Frontier Foundation ressalta que proibição colocaria democracias ao lado de regimes que já censuram redes privadas, como Rússia e China, e dificilmente seria eficaz, pois usuários encontrariam caminhos alternativos.

Mesmo assim, o movimento avança. Recentemente, a Câmara dos EUA discutiu pacote que estende a verificação de idade a nível de loja de aplicativos. A Apple já prepara exigências no App Store em países como Brasil, Austrália e Singapura, enquanto falhas pontuais no Reino Unido mostraram como o sistema pode ser inconsistente.

A escalada de projetos sem consenso técnico ou jurídico aumenta o risco de retrocessos na privacidade online. Especialistas defendem soluções menos invasivas, como educação digital e configurações de segurança por padrão, em vez de coletar dados sensíveis de toda a população.

Para acompanhar outras análises sobre tecnologia e privacidade, visite nossa seção de Últimas Notícias e fique informado. Siga navegando conosco!

Crédito da imagem: Cath Virginia / The Verge, Getty Images

Conteúdo Relacionado

Deixe um comentário

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK