Substâncias tóxicas em fones de ouvido geram recall europeu

Substâncias tóxicas em fones de ouvido motivaram grandes varejistas da Europa a retirar modelos populares das prateleiras após um estudo financiado pela União Europeia apontar traços de químicos que podem interferir no sistema hormonal humano.
A pesquisa, conduzida pelo projeto ToxFree LIFE for All e coordenada pela ONG tcheca Arnika, analisou 81 tipos de headsets de mais de 50 marcas – entre elas Apple, Beats, Samsung, Bose, JBL e Sennheiser. Todos apresentaram bisfenóis, ftalatos ou retardantes de chama em concentrações baixas, mas suficientes para acender o alerta sobre a exposição cumulativa desses compostos no dia a dia.
Substâncias tóxicas em fones de ouvido geram recall europeu
Depois da divulgação dos resultados, os e-commerces Bol.com, Coolblue e Mediamarkt, segundo veículos locais, suspenderam a venda dos modelos com pior avaliação. O estudo atribuiu notas verde, amarela ou vermelha a três categorias: partes em contato com a pele, partes internas e avaliação geral. Cerca de 40 % dos produtos ficaram na zona verde, mas headsets gamers foram os que mais falharam: 60 % receberam nota vermelha.
Marcas e modelos na mira do relatório
Entre os produtos com melhor desempenho surgem AirPods Pro 2 (Apple) e Tune 720BT (JBL), ambos verdes em todos os critérios. No extremo oposto, foram classificados como vermelhos o HyperX Cloud III (HP), o Kraken V3 (Razer) e os infantis Wave Beam e JR310BT (JBL). Os autores, que desmontaram cada aparelho para coletar 180 amostras de plástico rígido e flexível, decidiram não revelar a quantidade exata de cada substância encontrada.
Indústria questiona metodologia, mas admite atenção
Procuradas, Bose, Sennheiser e Marshall declararam ao estudo que cumprem todas as normas de segurança vigentes e pediram acesso aos dados brutos para validar os resultados. “Não está claro quais critérios o laboratório utilizou”, afirmou a porta-voz da Bose, Joanne Berthiaume. A Marshall acrescentou que os limites adotados pelos pesquisadores são mais rigorosos que os previstos para eletrônicos.
Risco potencial e próximos passos regulatórios
Embora as concentrações sejam “minúsculas”, segundo a coautora Karolína Brabcová, a preocupação recai sobre grupos vulneráveis, como crianças, adolescentes e gestantes, que podem usar fones por longos períodos. A professora Aimin Chen, da Universidade da Pensilvânia, ressalta que calor e suor aceleram a liberação desses compostos. Agências europeias estudam a possibilidade de banir classes inteiras de químicos e exigir transparência na composição, alinhadas a recomendações da Agência Europeia de Produtos Químicos.
Enquanto fabricantes avaliam ajustes para atender a padrões mais rígidos, a Arnika defende uma abordagem sistêmica para eliminar substâncias de risco nos eletrônicos e no descarte de lixo eletrônico, que pode liberar esses poluentes no solo e na água.
No momento, não há indicação de perigo imediato para usuários, mas reduzir a exposição é “sempre positivo”, conclui Chen. Consumidores que buscam alternativas podem optar por modelos já classificados na faixa verde.
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Imagem: The Verge
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