IA em videogames ainda falha na criação de mundos

IA em videogames segue longe de substituir o trabalho humano na criação de mundos digitais completos, como indica o desempenho do protótipo Project Genie, recém-lançado pelo Google. A ferramenta promete gerar cenários a partir de texto ou imagem, mas, na prática, entrega experiências rasas, com 60 segundos de exploração e interação mínima.
Apesar das limitações, grandes publishers — de Ubisoft a EA — insistem que modelos generativos podem reduzir custos de produção, num setor marcado por demissões em massa e orçamentos inflados. O ceticismo, porém, aumenta entre jogadores e parte dos desenvolvedores, que temem a queda de qualidade e a perda de empregos.
IA em videogames ainda falha na criação de mundos
Nos testes, o Project Genie produziu ambientes silenciosos, física imprecisa e visuais que lembram versões não autorizadas de clássicos da Nintendo. Ao término do minuto de jogo, o usuário só pode baixar um vídeo da sessão; não há como importar o conteúdo para engines tradicionais, o que limita qualquer aplicação prática.
A repercussão no mercado foi imediata: ações de empresas como Take-Two, Roblox e Unity recuaram logo após o anúncio, recuperando fôlego apenas depois que executivos minimizaram os riscos. Karl Slatoff, presidente da Take-Two, classificou o Genie como “vídeo interativo procedural”, incapaz de substituir processos criativos consolidados.
Especialistas concordam que construir um game vai muito além de gerar cenário. Jogabilidade, design de som, roteiro e personagens exigem anos de refinamento humano para resultar em obras como Baldur’s Gate 3 ou Zelda. “Modelos de mundo não representam ameaça, mas sim potencial acelerador”, avaliou Matthew Bromberg, CEO da Unity, em publicação recente.
Enquanto isso, líderes de big techs mantêm previsões ousadas. Elon Musk falou em “jogos personalizados em tempo real” já no próximo ano, embora seu histórico de prazos seja questionável. Mark Zuckerberg, por sua vez, vislumbra usuários criando games a partir de prompts e compartilhando-os em suas redes.
Para compreender o funcionamento desses modelos, a explicação detalhada sobre world models publicada pela Scientific American oferece contexto técnico e histórico.
Em síntese, a IA ainda não consegue entregar mundos ricos e interativos; contudo, o avanço constante das ferramentas deve manter o debate aceso sobre criatividade, direitos autorais e empregos na indústria de jogos.
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Crédito da imagem: Image generated by Project Genie
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