Xbox: bilhões investidos e futuro segue indefinido

Xbox vive um momento de incerteza após uma década marcada por aquisições bilionárias, mudanças estratégicas e a recente saída de Phil Spencer do comando da divisão de jogos da Microsoft.
Spencer, que assumiu o setor em 2014, aposentou-se na semana passada. A liderança passa agora para Asha Sharma, ex-presidente de CoreAI Product, enquanto Matt Booty foi promovido a EVP e CCO. A presidente do Xbox, Sarah Bond, também deixará a empresa.
Xbox: bilhões investidos e futuro segue indefinido
Durante a gestão de Spencer, a Microsoft tentou transformar o Xbox em um “Netflix dos games”. Para turbinar o Game Pass, comprou a Bethesda por US$ 7,5 bilhões e, depois, a Activision Blizzard por US$ 68,7 bilhões. Mesmo assim, o serviço estagnou em 34 milhões de assinantes em 2024, longe da meta de 100 milhões até 2030.
O crescimento abaixo do esperado veio acompanhado de cortes profundos: milhares de demissões e fechamento de estúdios, incluindo equipes da Bethesda. Além disso, colocar franquias como Call of Duty no Game Pass teria reduzido em US$ 300 milhões a receita de vendas anuais do jogo.
Para complicar a mensagem da marca, a campanha “This is an Xbox” passou a tratar qualquer dispositivo que rode Game Pass — PC, TV inteligente ou celular — como “Xbox”. Ao mesmo tempo, a Microsoft lançou títulos em plataformas rivais, tornando-se uma das maiores publicadoras do PlayStation.
A aposta pesada em assinatura e nuvem também mexeu no modelo tradicional de consoles. Em 2019, Spencer chegou a afirmar que “vender consoles não é o negócio”, justificativa para o desempenho inferior do Xbox One frente ao PS4. Agora, com um Series X/S ainda distante das vendas de Sony e Nintendo, a nova liderança promete um “retorno do Xbox” focado inicialmente em hardware, mas sem abandonar PC, mobile e cloud.
Especialistas veem a escolha de Sharma, cuja carreira é pautada por IA e produtos digitais, como um indício de novos rumos. Segundo análise do The Verge, a executiva pode ser exatamente a ruptura necessária para redefinir a presença da Microsoft no mercado de jogos.
O desafio, contudo, é explicar ao consumidor o que significa “ter um Xbox” em 2026: um console, um serviço ou ambos? A resposta impactará estúdios, jogadores e até rivais, que acompanham atentamente a próxima jogada da gigante de Redmond.
Em resumo, muito dinheiro foi gasto, a estratégia está em revisão e, apesar da nova gestão, ainda não há clareza sobre o caminho que o Xbox seguirá.
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Crédito da imagem: Photo by Vjeran Pavic / The Verge
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