Processo contra Ticketmaster: saída de chefe do DOJ gera dúvidas

Processo contra Ticketmaster ganha novo capítulo depois que Gail Slater, chefe da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos, deixou o cargo a poucas semanas do julgamento que tenta dividir o grupo Live Nation-Ticketmaster.
Slater anunciou a saída em 14 de fevereiro, pelo X (antigo Twitter). A decisão ocorre após meses de relatos sobre desentendimentos internos e demissões de três de seus principais adjuntos, todos ligados a discordâncias sobre acordos empresariais apoiados por lobistas próximos ao presidente Donald Trump.
Processo contra Ticketmaster: saída de chefe do DOJ gera dúvidas
A ação, movida em maio de 2024 pelo DOJ e por 40 procuradores-gerais estaduais, acusa a Live Nation-Ticketmaster de práticas anticompetitivas que inflaram os preços de ingressos ao impor contratos de exclusividade a artistas e casas de shows. A seleção do júri está marcada para 2 de março, e a principal incerteza é se o governo federal manterá o papel de autor principal.
No momento, quem assume interinamente a Divisão Antitruste é Omeed Assefi. Em memorando interno divulgado pelo MLex, ele reafirmou apoio ao processo, afirmando que prefere ir a julgamento a aceitar “meias-medidas” ou multas como solução.
Mesmo que o DOJ decida por um acordo, estados como Califórnia e Tennessee sinalizaram que prosseguirão com o litígio. Paula Blizzard, principal autoridade antitruste da Califórnia, declarou em evento público que espera “encontrar a Live Nation no tribunal” em março. Já o procurador-geral do Tennessee, Jonathan Skrmetti, reiterou disposição semelhante ao Capitol Forum.
Especialistas veem paralelos com o caso T-Mobile-Sprint: após aval do DOJ, alguns estados recuaram, outros seguiram em frente, mas a fusão acabou aprovada. Para Gwendolyn Lindsay Cooley, ex-chefe antitruste de Wisconsin, os estados “já estão acostumados a mudanças de parceiro federal” e contam com litigantes experientes para suprir eventuais lacunas.
A controvérsia em torno da Ticketmaster ganhou força popular em 2022, quando a pré-venda de ingressos da turnê de Taylor Swift enfrentou falhas massivas. Reclamações de consumidores sobre a plataforma figuram entre os dez temas mais frequentes recebidos por procuradores estaduais, segundo Cooley.
Enquanto isso, grupos de lobby ligados a Trump, como Mike Davis — que teria atuado tanto na operação HPE-Juniper quanto para a Live Nation — alimentam preocupação sobre influência política no resultado final. O procurador-geral Pam Bondi agradeceu o serviço de Slater, mas não comentou essas conexões.
Com o calendário mantido e as partes afiando argumentos, o veredicto sobre o futuro da gigante de ingressos poderá redefinir a regulação do entretenimento nos EUA.
Para acompanhar a evolução deste e de outros processos que impactam o mercado de tecnologia e consumo, visite nossa seção de Últimas Notícias e fique por dentro das atualizações.
Imagem: The Verge / Kenishirotie (via Getty)
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