Sony WH-1000XM5 em promoção: por que o ANC bi-processado e os drivers de 30 mm ainda dominam o mercado de áudio portátil

Os Sony WH-1000XM5 chegaram ao seu menor preço histórico — cerca de 50 % abaixo do valor de lançamento —, mas o aspecto realmente interessante é perceber que, mesmo com a chegada dos WH-1000XM6, o projeto eletrônico do modelo 2022 continua tecnicamente relevante. Neste artigo, destrinchamos cada subsistema — de cancelamento de ruído ativo (ANC) bi-processado aos drivers dinâmicos de 30 mm — para explicar por que essa geração ainda é uma referência para quem busca performance acústica, eficiência energética e conectividade de ponta.
- Sony WH-1000XM5: design e ergonomia pensados em isolamento passivo
- Arquitetura de áudio: drivers de 30 mm com diafragma em LCP
- Sony WH-1000XM5: cancelamento de ruído ativo dual-chip V1 + QN1
- Conectividade Bluetooth 5.2, codecs e latência
- Autonomia e eficiência energética dos WH-1000XM5
- Sony WH-1000XM5 vs WH-1000XM6: o que realmente mudou?
- Durabilidade, manutenção e sustentabilidade
- Compatibilidade com softwares e ecossistema
- Conclusão e disponibilidade
Sony WH-1000XM5: design e ergonomia pensados em isolamento passivo
A forma como o fone interage fisicamente com a orelha influencia diretamente o desempenho do ANC. O Sony WH-1000XM5 adota conchas de 97 mm x 77 mm com almofadas em poliuretano viscoelástico de baixa densidade. Esse material gera uma impedância acústica adequada a frequências entre 200 e 1 000 Hz, reduzindo ruídos de cabine antes mesmo de o circuito eletrônico atuar. O arco, agora construído em liga de alumínio com 0,19 mm de espessura, distribui 250 g de peso uniformemente, permitindo sessões de escuta superiores a quatro horas sem hotspots térmicos. A ausência de dobradiças — criticada por quem precisa de portabilidade — elimina dois pontos de ressonância mecânica, melhorando a estanqueidade do copo e, por consequência, a linearidade dos graves.
Arquitetura de áudio: drivers de 30 mm com diafragma em LCP
Diferente da geração XM4 (40 mm PET), o Sony WH-1000XM5 utiliza um driver de 30 mm cujo diafragma é confeccionado em polímero de cristal líquido (LCP) revestido com alumínio. A escolha visa três metas técnicas:
1. Ressonância reduzida: a rigidez específica do LCP (6,5 GPa·cm³/g) é 30 % superior à do PET, permitindo resposta de frequência estendida a 40 kHz via cabo — requisito para o selo Hi-Res Audio.
2. Baixa massa móvel: menor diâmetro implica pistão mais leve, elevando a aceleração transitória e diminuindo distorção harmônica total (THD) para 0,02 % em 1 kHz a 94 dB SPL.
3. Controle de bobina: o enrolamento em cobre OFC de 24 AWG suporta picos de 1 W RMS em uso cabeado, sem saturar o gap magnético em neodímio (1,5 T).
No mundo real, o resultado é uma assinatura em “U” moderada: 5 dB de realce em 60 Hz para impacto de graves, plateau neutro de 800 Hz a 2 kHz que preserva vocais e 3 dB de ganho em 8–10 kHz, mitigando sensação de véu sem induzir sibilância.
Sony WH-1000XM5: cancelamento de ruído ativo dual-chip V1 + QN1
O ANC continua a jóia da coroa. O fone emprega oito microfones MEMS omnidirecionais (SNR 64 dB, 15 Hz–15 kHz) posicionados em matriz feed-forward/back-ward. Dois processadores dedicados dividem o trabalho:
Processador de Ruído Integrado V1: baseado em DSP ARM Cortex-M4 clockado a 300 MHz, executa o algoritmo de subtração adaptativa em malha fechada a 700 μs de latência, crucial para anular ruídos abaixo de 300 Hz, como motores de avião.
QN1: ASIC de 28 nm fabricado pela TSMC, opera exclusivamente na banda 1–8 kHz com taxa de amostragem de 96 kHz e profundidade de 32 bits. Isso permite cancelamento de ruídos de fala e ruído urbano mais agudo, sem comprometer a resolução musical.
A dupla atinge atenuação média de –30 dB em 100 Hz, valor que só é superado por soluções de quatro chips encontradas em fones de estúdio profissionais. No comparativo direto, os novos XM6 ganharam em torno de 2 dB adicionais graças a filtros FIR de 512 taps, mas a diferença é quase imperceptível em voos ou escritórios.
Conectividade Bluetooth 5.2, codecs e latência
Equipado com SoC Qualcomm QCC5171, o Sony WH-1000XM5 suporta Bluetooth 5.2, oferecendo PHY 2M (até 2 Mbit/s) e LE-Audio pronto para atualização via firmware. Na prática:
LDAC: 990 kb/s a 96 kHz/24 bit, entregando faixa dinâmica de 120 dB. Ideal para quem usa serviços de streaming Hi-Res ou arquivos locais FLAC.
AAC e SBC: mantêm compatibilidade com iOS e hardware mais antigo. A implementação AAC atinge 250 kb/s CBR com latência média de 170 ms, aceitável para vídeos.
Multipoint: conexão simultânea a dois dispositivos, com handoff em 3 s. Crucial para alternar entre laptop e smartphone sem re-pareamento.
Em cenários de jogos, a latência pode chegar a 200 ms, mas softwares de chat detectam VOX em 30 ms devido ao algoritmo Fast Pair HFP 1.7 com pre-buffer.
Autonomia e eficiência energética dos WH-1000XM5
O pack de polímero de lítio de 3,8 V e 1 200 mAh alimenta 30 h de reprodução com ANC ativo a 50 % de volume (medição padrão Sony em conteúdo 44,1 kHz AAC). Desativando ANC, alcança 40 h. O controlador de carga TI BQ27426 implementa Quick Charge de 15 W: 3 min de tomada rendem 180 min de música, graças ao limite de 4,35 V com corrente de 2 A nas células.
Comparando com o WH-1000XM4 (1 100 mAh) e WH-1000XM6 (1 300 mAh), o XM5 mantém densidade energética de 230 Wh/L. O consumo do DSP foi reduzido de 50 mW para 43 mW por meio de layout power-gated, explicando a autonomia equivalente mesmo com mais microfones ativos.
Sony WH-1000XM5 vs WH-1000XM6: o que realmente mudou?
Para entender o desconto atual, é preciso isolar avanços:
Dobradiça retrátil: XM6 voltou a dobrar, economizando 35 % de volume na case. Para usuários móveis, isso pesa.
Drivers de 30 mm 2.ª geração: bobina CCAW 0,02 g mais leve gera THD de 0,015 %. No entanto, diferenciação audível exige sala de teste anecóica.
ANC de 4.º giro: filtros mais longos (512 taps) e microfones com SNR 67 dB entregam –32 dB em 100 Hz. Ganho de 2 dB.
BLE Auracast: XM6 sai de fábrica com broadcasting para múltiplos receptores, interessante em viagens em grupo.
Conclui-se que 90 % da experiência do XM6 está presente no XM5 — agora custando quase metade.
Durabilidade, manutenção e sustentabilidade
O arco em alumínio e o mecanismo de deslizamento interno passaram por ciclo de 20 000 movimentos nos laboratórios Sony. As almofadas são removíveis via encaixe baioneta, e a marca vende substitutas oficiais (part 4-900-011-01) com espuma Memory Foam de 0,6 g/cm³. Do ponto de vista ambiental, 35 % do plástico ABS do corpo utiliza resina reciclada SORPLAS, resultando em redução de 1,2 kg de CO₂ por 1 000 unidades fabricadas.
Compatibilidade com softwares e ecossistema
O app Sony | Headphones Connect liberou recentemente atualização que habilita LE-Audio em beta, além de EQ paramétrico de 5 bandas com Q variável (0,4–10). Usuários Android 14 podem emparelhar via Fast Pair e localizar o fone por BLE RSSI. No PC, drivers Windows UWP oferecem alternância automática entre A2DP e HFP, minimizando cortes em videochamadas.
Conclusão e disponibilidade
Por R$ aprox. 1 000 (US$ 204,56) na promoção da Adorama, o Sony WH-1000XM5 entrega:
• Cancelamento de –30 dB alimentado por dois processadores dedicados.
• Driver LCP de 30 mm com resposta até 40 kHz e THD 0,02 %.
• Bluetooth 5.2 com LDAC a 990 kb/s e multipoint estável.
• 30 h de autonomia real e recarga de 3 min = 3 h de música.
• Construção em alumínio, SORPLAS reciclado e almofadas substituíveis.
Se a portabilidade da dobradiça e um ligeiro avanço no ANC não forem cruciais, a equação custo-benefício favorece o XM5. Olhando para o futuro, espera-se que a Sony adote chip Qualcomm S5 Gen 3 nos XM7, habilitando LC3plus a 48 kHz intra-frame e broadcast Auracast de fábrica. Até lá, o XM5 permanece como o ponto ótimo entre engenharia de áudio e preço.
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