Julgamento da Live Nation recomeça com martelo de veludo

Julgamento da Live Nation foi retomado nesta segunda-feira (17) em Nova York, após a surpreendente retirada do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) do processo antitruste contra a Live Nation-Ticketmaster. Agora, dezenas de estados comandam a acusação, acusando a empresa de abusar de sua posição dominante no mercado de shows e bilheteria.
Os procuradores estaduais chegaram a pedir anulação do julgamento, temendo prejuízo para o júri com a mudança de partes. O juiz Arun Subramanian sinalizou que negaria o pedido; diante disso, os estados garantiram o perito do DOJ, reforçaram a equipe e desistiram da medida.
Julgamento da Live Nation recomeça com martelo de veludo
A retomada ocorreu quase do ponto em que o caso parou, com o depoimento de Jay Marciano, diretor-operacional da AEG, rival direto da Live Nation. Ele voltou a criticar os contratos de bilheteria exclusivos nos EUA, destacando que, na Europa, vários serviços podem operar no mesmo local, ampliando a competição.
Na sequência, o presidente de concertos nos EUA da Live Nation, Robert Roux, foi confrontado por e-mails internos que revelam a estratégia apelidada de “martelo de veludo”. Em 2018, Roux escreveu que a mensagem a um possível alvo de aquisição deveria ser: “Ou estamos juntos ou somos competidores”. No tribunal, ele afirmou que queria apenas ser firme, não intimidar.
Documentos exibidos pelos estados indicam que a Live Nation controla hoje quatro dos cinco maiores anfiteatros do país por vendas de ingressos. Uma apresentação interna de 2018 já mostrava 62 locais sob domínio da companhia; desde então, o número aumentou. Roux admitiu que, em 2024, os lucros nos grandes anfiteatros quase triplicaram em comparação a 2019, alcançando US$ 386 milhões antes de certos custos.
Questionado sobre possíveis ameaças a arenas que cogitavam trocar o Ticketmaster, Marciano reconheceu que promotores frequentemente “jogam” uma casa de shows contra outra para obter condições melhores, mas ressaltou que a influência da Live Nation dificulta a saída de muitos locais do seu ecossistema.
A defesa nega conduta anticompetitiva e argumenta que outros tipos de espaços — estádios fechados ou arenas multiuso — disputam os mesmos artistas. Ainda assim, os estados sustentam que o poder da companhia em anfiteatros limita escolhas de produtores e músicos, prejudicando preços e inovação. O caso deve se estender por várias semanas, culminando no aguardado depoimento do CEO Michael Rapino.
Para entender a relevância desse processo e seus possíveis impactos no mercado musical, confira análise recente do The New York Times, veículo reconhecido por sua cobertura de política e negócios.
Em resumo, o julgamento avança sem o DOJ, mas com novas provas sobre a atuação firme — porém “aveludada” — da Live Nation. Acompanhe desdobramentos e outras atualizações em nossas Últimas Notícias e fique por dentro do universo da indústria do entretenimento.
Crédito da imagem: Cath Virginia / The Verge
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