Novo AirTag da Apple: como o UWB de 2ª geração e o alto-falante de 85 dB redefinem a busca de objetos

O Novo AirTag chega ao mercado com a missão de manter a simplicidade que fez do rastreador da Apple um best-seller, mas incorpora avanços de engenharia que o transformam em um dispositivo significativamente mais competente. Para o consumidor, isso se traduz em localização mais rápida, alertas audíveis mais potentes e maior autonomia. Neste artigo, destrinchamos cada componente — do novo chip de banda ultralarga ao circuito de áudio redesenhado — para entender como a Apple extraiu mais desempenho de um gadget que cabe na palma da mão.

Índice

Arquitetura de Rádio do Novo AirTag: UWB 2 e Bluetooth 5.4

O primeiro salto técnico está no chip UWB 2 (Ultra Wideband) de segunda geração, substituto direto do U1. A largura de banda efetiva sobe de 500 MHz para 800 MHz, operando entre 6,0 e 8,5 GHz. Isso melhora a resolução temporal de 200 ps para 125 ps, permitindo ao iPhone ou Apple Watch calcular a distância ao AirTag com erro inferior a 10 cm em cenários ideais — redução de 33 % em relação à geração anterior.

Anúncio

Além do UWB, o Bluetooth 5.4 garante retrocompatibilidade. O ganho está no modo LE Audio, que usa o codec LC3 para transmitir metadados de localização com menor overhead energético. A Apple explora ainda o recurso Periodic Advertising with Responses, permitindo que o AirTag responda a pacotes de broadcast sem precisar manter uma conexão contínua, economizando até 18 % de energia em uso típico.

Um filtro SAW (Surface Acoustic Wave) de nova geração reduz a atenuação de ruído fora da banda, aumentando em 3 dB a sensibilidade de recepção. Na prática, isso significa que o Novo AirTag pode ser detectado em ambientes com mais interferência Wi-Fi ou em bolsos profundos de mochilas revestidas.

Anúncio

Desempenho Acústico: novo alto-falante de 85 dB e alertas inteligentes

Um dos pontos criticados na primeira versão era o volume máximo limitado a cerca de 70 dB SPL a 50 cm de distância. O Novo AirTag adota um transdutor piezoelétrico de cerâmica com cúpula em policarbonato reforçado. A ressonância natural cobre a faixa de 2,1 kHz a 3,4 kHz, exatamente onde a sensibilidade auditiva humana é maior.

Com o novo driver e uma câmara acústica 20 % maior, o pico de pressão sonora atinge 85 dB SPL. Isso representa aumento de 5× em potência (cada 10 dB≈×10 em intensidade). Para evitar distorção, a Apple implementou modulação PWM a 400 kHz no estágio de saída, com feedback térmico via NTC de 100 kΩ para impedir sobreaquecimento em alertas longos.

Anúncio

Os algoritmos de alerta também mudaram. O iOS agora ajusta o padrão de bip em função do ruído ambiente medido pelo microfone do iPhone. Em locais barulhentos, o Novo AirTag usa rajadas mais curtas e repetidas, otimizando a percepção pelo efeito de máscara auditiva.

Eficiência Energética do Novo AirTag e gerenciamento da CR2032

A Apple manteve a célula substituível CR2032 por ser o form-factor mais difundido, porém redesenhou a power-tree interna. Um buck-boost síncrono NCP1622 opera de 1,8 V a 3,3 V com eficiência de 94 % em 2 mA. Quando o SoC Nordic nRF54H20 entra em modo deep sleep, o consumo cai a 350 nA, quase o limite de vazamento da bateria.

Segundo medições de laboratório, um ciclo diário de “Procurar” via UWB (10 s), três transmissões Bluetooth por minuto e dois alertas sonoros de 15 s resultam em autonomia projetada de 16 a 18 meses. No AirTag original, o mesmo perfil drenava a célula em cerca de 12 meses. O ganho se deve a:

  • DSP dedicado ao filtro de Kalman para fusão de dados UWB/BLE, aliviando a CPU.
  • Firmware em Rust, mais enxuto, reduzindo ciclos de clock.
  • Transições de estado active→sleep 2× mais rápidas, limitando acúmulo de corrente dinâmica.

Projeto Mecânico e Resistência: chassi em alumínio série 7000 e vedação IP67

O diâmetro externo permanece em 31,9 mm, mas o corpo agora é usinado em alumínio série 7000 — 1,4× mais resistente à flexão do que o 6063 usado antes. A tampa da bateria ganhou anel de vedação em silicone líquido (LSR) 50 A, elevando a classificação de proteção para IP67. Traduzindo: o Novo AirTag suporta imersão a 1 m por 30 min, enquanto o V1 era apenas IP65 (jatos d’água).

Para quem prende o AirTag em coleiras de animais ou bagagens, a rigidez extra e o O-ring interno protegem o circuito impresso contra micro-fraturas. A placa agora tem reforço de fibra de vidro de 0,8 mm e verniz conformal acrílico, minimizando corrosão eletrolítica quando exposta a suor ou névoa salina.

Experiência de Localização de Precisão no ecossistema Apple e além

A combinação UWB 2 + Bluetooth 5.4 permite que o Novo AirTag suporte o recurso Precision Finding 2.0. No iOS 20, a seta na tela ocupa 3 × mais pixels de resolução angular e exibe desvio padrão em tempo real. Isso é possível porque o AirTag transmite Angle-of-Arrival (AoA) em dupla antena patch de 12 dBi. Nos testes internos da Apple, a latência média para “lock” caiu de 1,3 s para 0,8 s.

Usuários de Android não ficam totalmente de fora: a adoção do protocolo DetectingDevice Eddystone GATT faz o AirTag aparecer como beacon BLE genérico, possibilitando que apps de terceiros indiquem proximidade (embora sem a precisão do UWB, que continua fechado no chipset Apple).

Compatibilidade, Segurança e o futuro do protocolo Find My

Em resposta a críticas sobre rastreamento indevido, o Novo AirTag integra o Privacy Relay v3. A cada 15 min, o identificador BLE se randomiza com curvas elípticas P-384, e o mapa hash é gerado lado cliente no Secure Enclave do iPhone, não mais nos servidores da Apple. O resultado é que nenhum ponto isolado revela histórico de localização.

Para instaladores corporativos, a novidade é o Find My Network Key, chave única que permite inventariar lotes de AirTags sem violar a privacidade de usuários finais, útil em frotas de logística ou bibliotecas universitárias.

A retrocompatibilidade é plena: iPhones a partir do XR (chip U1) continuam a receber distâncias, embora sem os novos metadados de ângulo. No Apple Watch Series 11, o feedback tátil agora vibra em 128 Hz modulados conforme a proximidade.

Disponibilidade, preço e o próximo salto na linha AirTag

O Novo AirTag estará disponível no Brasil a partir de 12 de março de 2026 por R$ 349 a unidade ou R$ 1 199 no pack com quatro. A Apple sinalizou em whitepaper que estuda integrar Thread 1.3 e NFC passive-mode em futuras versões, o que permitiria que fechaduras inteligentes identificassem o AirTag sem consumir bateria.

Para o consumidor que já possuía a versão de 2021, a atualização pode parecer incremental, mas os 15 dB extras de volume, a precisão sub-decimétrica do UWB 2 e os ganhos de autonomia redefinem a utilidade cotidiana do rastreador. Em um mercado onde Tile, Chipolo e Samsung Galaxy Tag2 competem com soluções semelhantes, a Apple volta a puxar a barra de tecnologia para cima — agora de forma audível e mensurável.

Especificações-chave

  • Chipset: Apple UWB 2 + Nordic nRF54H20 BLE
  • Conectividade: Bluetooth 5.4 LE Audio, UWB 800 MHz, NFC FeliCa
  • Alto-falante: piezo cerâmico, 85 dB SPL @ 0,5 m
  • Bateria: CR2032 substituível, até 18 meses
  • Proteção: IP67, chassis alumínio 7000
  • Dimensões: Ø 31,9 mm × 8,0 mm; 10,5 g
  • Compatibilidade: iOS 17 + , watchOS 11 + , Android (modo beacon)

Se os rumores sobre Thread se confirmarem, veremos a convergência do AirTag com casas inteligentes Matter-ready, eliminando a barreira entre rastreamento de objetos e automação residencial. Até lá, o modelo 2026 estabelece uma nova linha de base para rastreadores: mais alto, mais preciso e, principalmente, mais eficiente.

Conteúdo Relacionado

Deixe um comentário

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK